31 agosto 2010

destroy back bone - step 2


# não quero falar sobre a minha espinha dorsal. nem sobre a tua espinha dorsal. nem sobre a espinha dorsal dos meus conhecidos. nem sobre a espinha dorsal dos críticos de arte. nem sobre a espinha dorsal das pessoas que vais largando ou que te largam. nem quero perceber o quotidiano. não quero perceber o ‘indivíduo’. nem enquanto artista nem enquanto nada. larguei esse conceito. está destruído.

# não quero avaliar. a avaliação entre semelhantes é paradoxal. também não quero avaliar cães com pedigree. a avaliação desfasada é pornográfica.

# não quero fazer arte. não quero saber nada sobre arte. não quero pensar sobre arte. não quero pensar sobre pessoas. tudo o que seja humano morre aqui. o Hamlet. o palco. a marioneta. a dramaturgia. etc. não quero ler pensadores que pensam sobre o indivíduo ou sobre qualquer tipo de construção associada ao indivíduo.

# não me interessa o que se diga sobre o que vou fazer a partir de hoje. o público deixa de existir. o artista deixa de existir. a crítica deixa de existir. a arte morreu. o homem morreu. (também não me interessa a escrita que os homens fazem. nem os seus acordos ortográficos. como por exemplo o fascismo existente no senso comum de escrever homem com h maiúsculo). não sei como vai ser mas também não quero saber. sou instintiva e simples como 1 besta. não quero ser pragmática e reles como 1 pessoa. nem coerente e pornográfica como 1 artista. nem inteligente e vampira como 1 pessoa do público. nem historiadora e ditadora como 1 crítico de arte. quero destruir isto tudo. como enuncias no teu blog. no teu step 1.

e este é o meu trabalho de casa destroy back bone #1

| vou escolher 1 planta qualquer. passar-te toda a sua biografia. e vou ser essa planta. (dá-se-me 1 abalo ao pífaro que venha 1 qualquer anónimo ignorante meter aqui a conversa ‘personae’. não é. cá nos entendemos.) e vai ser isso que vais dirigir. vais abrir 1 buraco e plantar-me na vertical. com as mãos de fora e os cabelos. deduzo eu. é muito parecido com o funeral do faria? é. é parecido com o nosso primeiro ensaio. mas também não me importa a morte das pessoas. quero antes perceber como nascem as plantas.

| precisamos de: 1 pessoa para a fotografia. 1 pessoa para o vídeo. 1 pessoa para o som. 1 agricultor. 1 campo. 1 pá. água. 1 equipa de paramédicos.

| e este é o meu trabalho de casa back bone #2:

descobrir quais são as fotografias que falam de pessoas na série ‘testing - como fazer de conta que sou a Sandra Andrade em 8 dias’ e eliminá-las.

p.s. isto vai dar conversa longa. por isso marca ensaio breve.

e também não me interessam mais supostos textos sérios e artísticos e conceptuais e nada nada.

pediste-me para destruir. está feito.

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