21 abril 2009

não sei quantos mil euros

também eu. me vou render-me aos prémios.
quero dar autógrafos aos rapazes virgens de espírito.
aos que choram silenciosamente ao 5º segundo da punheta e pegam num livro de bd fofinha. com a culpa de não ser uma pós-bd-porca-japonesa. aos que se enrolam sobre si e limpam com papel higiénico o lado esquerdo. atónitos. à espera de um amor silencioso e limpo. com a culpa da missa de domingo ou do hino russo. aos que deitam imperativamente a cabeça sobre a almofada para se redimirem da filosofia mundana. e ouvem então nick cave e blues do mississipi. porque já podem agora descansar da sua tarefa contemporânea de primogénitos heróis e hetero e machos. aos que sentem anjos ou acordes ou equações a rasar-lhes a cabeça semi-adormecida. aos que sonham com a mulher que assista a isto tudo em vácuo. em fazer amor com explosão de foda e bolo de chocolate. aos que acordam todas as manhãs iguais. sem nada de novo. sem a surpresa da erecção da manhã. aos que iniciam o ritual da barba cada 5 manhãs e fazem delay sobre o after shave. aos que fazem delay sobre todo o tipo de after. aos que oferecem after 8. aos que acordam a mulher ao lado e lhe pedem a confirmação do coração em estetoscópio.
e vai ela (eu) e diz.
não quero metafísica na cama.
tenho a mala feita à porta.
tens cardiologista às 10h00.
muffins de frutos do bosque no forno.
e vai ele e diviniza-a (a mim). só porque lhe deu. lhe passou. um autógrafo. a porcaria da merda de um autógrafo graças a um prémio merdoso qualquer. porque se ela fosse ela (eu). e lhe mostrasse como planta basílico na varanda em vez de perder tempo com pseudónimos. nem cardiologista. nem muffins. nem after 8.

p.s. 25.000 euros

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