13 julho 2008

Braga

porque há um amor lento contra a velocidade do dia. prefiro a noite, essa puta. e quero dizer que amo esta cidade, esta puta. porque tem café de saco e rendas baixas e comida barata. e artistas aos mil. e coimas e comodatos e punhetas. e tem as putas e os padres e os paneleiros. e um festival de teatro de rua que é para toda a gente. como na altura dos romanos. para toda a gente menos para quem gosta de teatro, mas isso também não importa. e tem construção civil. e muitos artistas outra vez. porque tem música. e tem os anos 80. e a droga e o sexo. porque tem bares abertos até à uma que é uma boa hora para ir para a cama. porque tem música outra vez. porque tem a semana santa e os farricocos. e porque antes de o senhor cónego morrer podia-se ir falar com ele à missa das 8h00. e ninguém me tira da minha varanda que dá para este amor de cidade. eu báquica, helénica, hedonista. a comer uvas e a beber vinho tinto na minha varanda. e depois cuspo para o passeio e chamo-lhe grande puta e vou para o quarto fazer arte contemporânea. porque existe lenta e individual e deserta e ociosa e medieval. e porque tem muitos artistas outra vez. tem mais de cem.

3 comentários:

apedroribeiro disse...

apiado.

apedroribeiro disse...

apoiado, desculpa.

nuno miranda ribeiro disse...

uau, moça :D gosto muito da tua escrita, das coisas que dizes, da vontade que me dás de olhar bem para as coisas.

beijos, muitos!