02 junho 2011

blogkiller

este blog já não tem ponta por onde se lhe pegue.
bang bang.



blogkiller

06 abril 2011

#holographos

teria de se fazer 1 paisagem nova. e desmaterializar à entrada. 2 malas à porta cheias de porcaria. teria de se fazer 1 grande fogueira. teria de se fazer 1 círculo na neve. e desmaterializar à entrada. teria de se pescar. e atravessar o peixe com 1 espeto. teria de se fazer 1 pequena fogueira. teria de haver 1 cansaço de bichinhos com cio em redor. teria de se fazer 1 cama. e adormecer à entrada. teria de ser 1 paisagem das que se vê muito bem que a terra é redonda. teria de ser 1 sono total. desmaterializado à entrada. teria de se acordar e fazer 1 círculo na cinza. e desmaterializar à entrada. teria de se foder. atravessar o silêncio total. teria de se fazer 1 grande fogueira.

teria de ser tudo isto muito secreto. num spot que nem a NASA. teria de se fechar tudo muito bem fechado. e materializar à saída. para se ir fazer a cama e lavar a loiça.


de resto

teria de se fazer muita ficção científica.

07 dezembro 2010

# kéfali



porque o amor é estar sentados à mesa a ler.

e disparares certeiro e em silêncio.

e vires limpar a porcaria azul toda dos livros da mesa e da boca.

é este entendimento. quando tudo se cala.

sermos este eufemismo do xeque-mate.


de resto

os outros rapazes fazem alvo ao coração e ao sexo.

dá-me igual. dá-me igual. wrong target. next.

25 novembro 2010

ALWAYS LOOK ON THE BRIGHT SIDE OF LIFE





obrigada

por me teres
fodido ontem a cabeça.
como não comi
hoje até parece que estou com o
rabo mais jeitoso.

02 novembro 2010

# pornea


hás-de levantar-me o braço esquerdo contra 1 parede. e pulso com pulso beijar-me a boca. mão direita saia acima. mão direita calças adentro. ‘Bon alors ça suffit!’ agora desejo-te como se nunca te tivesse visto. e quero foder-te como se não tivesse nada para te dizer. de resto. recuperaremos a memória no fim. e diremos as palavras todas. tanto melhor se não for preciso dizer nada. a marca que ficar no pulso será a única evidência.

08 outubro 2010

# rachis





partir. s'en aller. sortir. quitter. laisser. (au hasard)






vi-me sentada nesta rua. malas projectadas em todas as direcções.

a realidade não existe. nem eu estava à espera de acordar para 1 sítio onde não estivesses.

porque a latência era só 1 forma de te fazer chegar.

e não percebo porque hei-de fazer silêncio logo a seguir a aprender a falar. mas calo-me.

disse-me 1 homem que passou por aqui que é melhor fazer caminho.

que aqui a coisa não existe. que isso é do outro mundo.

desligo o computador e as luzes. e


de resto.

fecho os olhos e inunda-se a casa.

e há barcos na minha direcção.

e a inclinação do teu braço sobre o remo para baixo

e a inclinação do meu ombro sobre o barco para dentro

já éramos isto quando andávamos pelo jardim original. seremos sempre assim ainda que nos extingam.

(esta rua é que não presta)

29 setembro 2010

# neuron


*ó mãe, traz-me balanças.

quero riscar a testa a traço vermelho de todas as bestas quadradas que se me apresentaram na vida. para que toda a gente saiba: isto não é 1 pessoa. isto é 1 besta quadrada.

quero que seja como no fim da bíblia. que ardam no inferno. a coçar a marca maldita na testa. com os dedos a apontar para eles. ‘olha, afinal é 1 besta quadrada.’

ó mãe, arreda-me estas bestas daqui. abre as pernas como no início para que transmute. faz-me 1 coração negro e à prova de bestas quadradas, mãe.

e ó mãe, já que não me ensinaste a falar a língua deles faz com que nunca mais possam ouvir nick cave, mãe.

*o vocativo é inspirado no FMI do José Mário Branco. que é inspirado num amigo que me salvou mesmo a tempo de 1 besta quadrada que vinha direitinha a mim.

21 setembro 2010

post para o Hugo (no seu aniversário)

estou assim 1 bocado assustada. porque já sabes tudo e não sei que poderei trazer de novo aqui.

(esqueci-me do nome das patilhas do ar condicionado. esta cabeça.)

hoje à noite estava com arritmias. pousei a cabeça outra vez na almofada. e juro que pensei que quem fazia anos era eu. cuidas sempre de mim. desta vez estou sentada no campo de batalha. atenta à forma como deslizas entre vencidos e vencedores. indiferente. bitter better.

(tiro notas. claro. esta cabeça.)

sabemos muito bem que é em frente. que o resto são veteranos de guerra. e essas mazelas não nos interessam. não é piroso dizer que me dás a mão e me puxas de vez em quando com 1 pouco mais de força. ou que calço saltos altos para te abraçar melhor. pirosos são esses estendidos no chão à espera que caia água e metal. não se olha para baixo.


p.s. fazendo de conta que és mesmo tu que fazes anos hoje. e que estou grande e forte e gorda. quero dizer-te que o caminho é este. dizer-te que tens a cabeça certa. dizer-te que vai correr tudo bem. mesmo que o sétimo irmão fique com 1 asa de corvo. e que há muito tempo te escolhi como pessoa a não largar.